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terça-feira, 10 de novembro de 2009

O que vale uma vírgula

Maria Fedorovna, Imperatriz da Rússia e mulher do czar Alexandre III ficou conhecida pelo seu bom coração e pelas suas obras de caridade. Houve mesmo um dia em que ela salvou a vida de um homem, ao impedir que este fosse enviado para a Sibéria por ordem do seu marido, alterando simplesmente uma vírgula num decreto.
No decreto, estava escrito "Perdão impossível, enviá-lo para a Sibéria". Ela alterou o documento de forma a que ficasse registado "Perdão, impossível enviá-lo para a Sibéria". O homem foi pois libertado.

domingo, 25 de outubro de 2009

Alteração de última hora

O navio britânico Queen Mary (da Cunard) tinha como nome original Queen Victoria. O presidente da companhia explicou ao rei Jorge V que queria que o navio tivesse o nome «da maior rainha de Inglaterra». Depois de ouvir a explicação, o rei afirmou: «óptimo, a minha mulher vai ficar muito honrada».

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Enquanto não decides...

Conta Plutarco que Agesilaus queria atravessar a Macedónia e parou na fronteira com este reino. Este guerreiro enviou um mensageiro ao rei macedónio para saber se este pretendia recebê-lo como amigo ou como inimigo. O mensageiro retornou com a resposta do rei: «Vou pensar», disse. Ao ouvir a resposta do macedónio, Agesilaus enviou o soldado com uma nova mensagem: «Nesse caso, enquanto pensa vossa Majestade, nós vamos começar a nossa marcha pelo seu país». A resposta não tardou: «Entrai como amigo», replicou o rei macedónio.

sábado, 3 de outubro de 2009

Uma amizade duvidosa

Lord Byron deu certo dia ao seu editor, John Murray, um exemplar da Bíblia trabalhado e lindíssimo. O editor ficou sensibilizado e contente, pelo menos até descobrir que o Byron tinha alterado o último verso de uma parte do evagelho segundo S. João de «Barrabás era um ladrão» para «Barrabás era um editor».

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Amor de "mãe"

Sisigambis foi a mãe de Dário III da Pérsia. O seu filho foi o líder de um dos maiores impérios da antiguidade e reinou até à derrota com Alexandre, o Grande, que tomou como seu o império persa.
Na batalha de Issus (333 A.C.), o rei persa foi derrotado e viu-se obrigado a fugir, deixando para trás a sua família - mulher, filhos e sua mãe - à mercê de Alexandre. Este tratou-os bem, como realeza, e nunca lhes faltou nada.
Sisigambis nunca perdoou Dário e quando lhe foi dada a notícia da morte do seu filho - atraiçoado pelos seus homens - a mesma respondeu: «eu só tenho um filho (Alexandre) e ele é rei de toda a Pérsia».
Anos mais tarde, quando soube da morte de Alexandre, Sisigambis ordenou que a trancassem nos seu aposentos e morreu de desgosto e de fome.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O secretário de Napoleão

De forma a animar e motivar o seu secretário Bourrienne, dado o elevado volume de trabalho a que o sujeitava diariamente, Napoleão Bonaparte dizia-lhe por vezes: «Bourrienne, os nossos nomes ficarão juntos na história!». O secretário, pragmático e menos optimista nesta questão, respondeu-lhe certa vez: «Excelência, sabeis dizer-me quem foi o secretário de Alexandre, o Grande?»

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Uma família inseparável

Durante a revolução francesa, a Madame Saintmaraule, juntamente com a sua filha e o seu filho menor foi aprisionada e levada a tribunal. Tanto mãe e filha receberam a pena de morte, mas o pequeno rapaz recebeu pena de prisão. «Como?!», exclamou o miúdo, «ides separar-me da minha mãe? Não pode ser!», concluiu, rematando com um «Vive le Roi!». Como consequência, foi condenado à morte e, juntamente com sua mãe e irmã, executado.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Yo no creo en las brujas...

Luis XI de França era um crente em astrologia, mas deixou-se afectar quando um dos seus astrólogos previu com exactidão a morte de uma senhora da corte. Na altura, considerou que o astrólogo em questão deveria ser morto. Assim, combinou com os seus criados que estes deveriam atirar o astrólogo de uma das janelas da sala de audiências e chamou-o ao palácio.
Antes de dar o sinal combinado, o monarca perguntou ao astrólogo: «dizes conhecer astrologia e saber da sorte de outros. Diz-me qual o teu destino e quanto tempo vais mais viver». O astrólogo respondeu: «morrerei três dias antes de Vossa Majestade».
Luis XI deixou o homem sair pela porta... e pelo próprio pé.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Porque se chama maratona?

A maratona é uma prova olímpica de corrida que tem cerca de 40Km. O estimado leitor alguma vez se perguntou qual a razão de tal facto? Aquando da vitória dos exércitos de Atenas contra os invasores persas em Marathonas, um mensageiro - de seu nome Phidippides - correu esta distância desde esse local até à cidade para anunciar o desfecho da batalha. Uma vez que tinha corrido mais cerca de 250km nos dois dias anteriores, quando tinha ido a Esparta com um pedido de auxílio de Atenas, estava exausto. Chegado à cidade, teve apenas tempo de dizer «Nike» (Vitória) e morreu de cansaço logo de seguida.

nota: neste pequeno texto poderá o leitor tembém verificar que a popular marca de desporto Nike tem ligações óbvias à Grécia antiga.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Quanto vale um nome

A MGM produziu um filme chamado Rasputin and the Empress. De forma a evitar uma acção legal por parte do príncipe Yusupov (um dos responsáveis pela trama que levou à morte de Rasputin), a empresa alterarou o nome da sua personagem para príncipe Chegodieff. Surpreendentemente, Yusupov processou a empresa por omitir o seu nome e por não lhe ter sido dado o devido crédito no plano para assassinar Rasputin. Ganhou o caso e foi indemnizado pela MGM.
Ironicamente, o verdadeiro principe Chegodieff também processou os estúdios MGM por uso indevido do seu nome. Ganhou o processo e a companhia também teve de o indemnizar.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Preso por ter cão...

Depois de falhar a conquista da Grécia, Xerxes, o rei da Pérsia, regressava a casa a bordo de um navio fenício quando uma grande tempestada se instalou. Tudo indicava que o barco se iria afundar, pelo que o monarca perguntou ao comandante o que se podia fazer para sobreviver à tormenta. Este disse que a única forma seria aligeirando o peso no barco. Uma vez que o navio estava cheio de soldados, Xerxes dirigiu-se a estes, dizendo «é em vós que reside a minha segurança. Mostrai agora o amor e dedicação pelo vosso rei». Ouvindo isto, muitos dos persas saltaram para o mar.
Chegado a terra, Xerxes mandou fazer uma coroa de ouro para oferecer ao capitão responsável por salvar a sua vida. Ao mesmo tempo, ordenou a sua decapitação. A razão? Ser responsável pela morte de tantos persas...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Presente, mesmo depois de morto

José António Primo de Rivera foi um advogado e político espanhol, filho do militar Miguel Primo de Rivera. Fundador da Falage Espanhola - uma organização de extrema-direita - este católico praticante foi preso pelas forças republicanas em Alicante e mais tarde barbaramente fusilado, tornando-se rapidamente num mártir para as forças falangistas e para os reaccionários de Franco.
Depois da guerra, os vencedores do conflito mandaram colocar o seu nome em todas as igrejas de Espanha. Muito embora as placas com o nome variem, é vulgar encontrar nas fachadas das Igrejas a seguinte inscrição: «José António Primo de Rivera, presente!»

terça-feira, 26 de maio de 2009

Onde está João XX?

Se os meus estimados leitores consultarem a lista de Papas, verão que existe uma aparente lacuna na designação dos Santos Padres que escolheram o nome João. O Papa Ioannes Vicesimus Primus, nascido Pedro Hispano em Lisboa, ficou conhecido como João XXI, mas sucedeu a João XIX, o romano que reinou na Santa Sé no sec. XI. O que aconteceu então a João XX?
Tudo se ficou a dever a um aparente erro de contagem e a uma tentativa de correcção do Santo Padre Português ao tomar como seu o nome João XXI e deixar vago o título João XX. Esta alteração tem que ver com a lenda da existência de um Papa João entre João XIV e João XV, que alteraria a contagem de Papas com este nome de aí em diante. A inclusão do antipapado de João XVI veio ainda mais confundir a contagem...

domingo, 3 de maio de 2009

Santa Sé em Portugal?

O Papa Pio XII (na imagem) foi o Sumo Pontífice durante a Segunda Guerra Mundial. Muito se falou acerca das intenções dos nazis em raptarem o Santo Padre para impedir que este exercesse pressões políticas em prol dos aliados. Ao sabê-lo, Eugenio Pacelli (o nome original do Papa), disse aos seus bispos que caso fosse preso pelas forças do eixo, a sua resignação seria efectiva imediatamente e os bispos deveriam fugir para um país neutro, nomeadamente Portugal, de forma a reestabelecer a estrutura da Igreja Católica e para se proceder à nomeação de um novo Pontífice.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Uma criança modesta, um monarca absoluto

Desde pequeno, Luis XIV de França (1638-1715) revelou indícios de se vir a tornar num rei absolutista. Diz-se que um dia o seu pai, Luis XIII, lhe perguntou: «como te chamas, pequeno?». O futuro rei, que tinha apenas três anos, respondeu prontamente: «Luis XIV, Majestade».

sábado, 11 de abril de 2009

Entre o céu e o inferno

Poucos dias antes da sua morte (em 1527), Nicolau Maquiavel sonhou que uma multidão de mercadores, comerciantes e políticos desfilava à sua frente enquanto que uma voz dizia: «Sede benvindos ao céu». No mesmo sonho, referiu o autor d' "O Princípe", aparecia uma outra comitiva, formada por grandes sábios da antiguidade, como Platão, Sócrates, Pitágoras e Aristóteles, e a mesma voz dizia: «Benvindos ao inferno».Maquiavel contou o sonho aos seus amigos e disse que, quando acordou, comentou para si mesmo: «Dada a natureza da companhia, prefiro ir para o inferno para toda a eternidade...»

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Uma santa cansada

Santa Teresa de Jesus (1515-1582) foi uma mulher de génio vivo e carácter franco. Em certa ocasião, viu-se envolvida num longo processo legal que dizia respeito ao testamento do seu irmão. Num dos dias em que foi chamada para "prestar declarações", um dos notários que a interrogaram mostrou-se particularmente malcriado e rude. Santa Teresa, que já tinha na altura dificuldades em manter-se de pé, viu que o homem não lhe dava indicações para que se sentasse. Depois de alguns minutos, disse-lhe: «que Deus vos trate com a mesma cortesia com que vós me tratais a mim».

quarta-feira, 18 de março de 2009

Desculpas pelo atraso

Certo dia, Fernando Pessoa (1888-1935) chegou tarde a um encontro que havia marcado com outro poeta, José Régio. Ao chegar ao pé deste, disse Pessoa: «sinto muito. Fernando Pessoa não pôde vir, pelo que me convidou a mim, Álvaro Campos, para me desculpar pelo seu atraso».
Como saberão os estimados leitores, Álvaro Campos era um dos heterónimos de Pessoa - um nome com que assinou várias obras, de resto.

segunda-feira, 16 de março de 2009

quinta-feira, 5 de março de 2009

Hemorróidas e cavalos não combinam

A batalha de Waterloo (Junho de 1815) foi determinante para o afastamento definitivo de Napoleão do teatro político e militar da Europa. Com um exército de 62 mil homens recrutado à pressa, o francês foi derrotado pela aliança dos exércitos ingleses, russos e prussos.
Habitualmente a cavalo enquanto seguia os desenvolvimentos do combate, Bonaparte não pôde, nesse dia, subir para cima de Désirée, por causa do caso extremo de hemorróidas de que sofria na altura. O imperador viu os seus exércitos caírem em território belga, mas a pé.